Nem Os Graffitis Escapam Aos Gatafunhos…


Um americano transformou um monte de borrões em obra de arte que durou pouco tempo no Bairro Alto. Os rabiscos numa parede só dão prisão se houver queixa. Nunca aconteceu.

Os turistas continuam a parar e a dar por ele, se bem que ele já não seja o que era. Quando o Expresso passou por lá, um casal espanhol tirava-lhe uma fotografia. “Não sabemos de quem é mas é muito interessante”.
‘Ele’ é o desenho de um quadro de ardósia com um aluno de castigo e uma professora de ar severo e zangado. Desde que apareceu de um dia para o outro, o “graffiti” de parede inteira que o famoso graffitista americano Above (é um pseudónimo) pintou na rua do Norte, em Lisboa, foi entretanto cercado pelas pinchagens que mais têm caracterizado o Bairro Alto: riscos e borrões sem nexo feitos a “spray” de cor preta e que tendem a cobrir todos os metros quadrados que ainda possam estar livres nas fachadas dos prédios.
O autor gosta: “Adoro a maneira como as peças crescem e evoluem na rua. O melhor de trabalhar ilegalmente é que nunca sabemos o que vai acontecer ao que pintamos”.
Above esteve em Lisboa em Setembro, depois de uma longa viagem pelas principais cidades da América Central e da América Latina. “Sou de São Francisco, que tem muitas semelhanças com Lisboa: a ponte, as colinas, o terramoto e, claro, os “graffitis””, diz ao Expresso. Bem conhecido dos europeus (já deixou a sua marca em praticamente todos os países da Europa), o autor concebeu duas pinturas no Bairro Alto, ambas com uma forte carga irónica.
Catarina Amaro, funcionária da sapataria, diz que o “graffiti” “aguentou-se limpo duas ou três semanas”. Depois, os pinchadores homenageados por ele encarregaram-se de o cercar com riscos. “É irónico porque a criança da imagem está a ser castigada em frente à turma precisamente porque fez “graffitis”. Haver mais pinturas e borrões à volta só valoriza a peça”, diz o desconcertante Above.
O outro “graffiti” de Above teve um destino pior. Era o desenho de um assaltante junto a uma caixa multibanco, na esquina da rua do Loreto com a praça Luís de Camões.
O assaltante tinha uma arma apontada para quem estivesse a tirar dinheiro, enquanto a outra mão estendia algumas notas para o espaço onde normalmente costuma estar uma pedinte sentada.
A agência bancária (da Caixa Geral de Depósitos) não gostou e mandou lavar a parede, que agora está imaculada.
A visita de um autor de rua com renome mundial não é inédita no Bairro Alto. Antes de Above, já o norueguês Dolk tinha deixado a sua marca espalhada por algumas ruas, incluindo um dos seus desenhos mais conhecidos, o “praying boy” – o rapaz que reza (na travessa do Poço da Cidade, em frente ao número 60). Para já, parece que rezar o ajudou a não ter a mesma sorte que os outros.

Video Do Trabalho
Jornal Expresso

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